
A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo excesso de gordura corporal, que causa prejuízos à saúde. Ela não é apenas uma questão estética, pois aumenta o risco de alterações do metabólicas e doenças no coração e vasos, fígado, rins, articulações, etc. A obesidade também é um importante fator de risco para o desenvolvimento de vários tipos de câncer.
Como é feito o diasgnóstico de obesidade?
O diagnóstico começa pelo cálculo índice de massa corporal (IMC), que é a divisão do peso pela altura ao quadrado. Exemplo: um homem de 1,70 m e 100 kg terá um IMC de 100/1,70 x 1,70, ou seja, 34,6 kg/m². Adultos com IMC entre 25 e 29,9 kg/m² são classificados como tendo sobrepeso, e aqueles com IMC igual ou acima de 30 kg/m² são classificados como tendo obesidade. No entanto, o IMC apresenta limitações, por isso, outras medidas devem ser utilizadas:
A obesidade é uma doença comum?
A obesidade vem crescendo no mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2022 haviam mais de 890 milhões de adultos vivendo com obesidade, o que correspondia a cerca de 16% da população adulta mundial. A prevalência global mais que dobrou entre 1990 e 2022. No Brasil, a situação também preocupa. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO) alerta que, em 2025, 68% dos adultos brasileiros tinham excesso de peso, mostrando a enorme dimensão do problema no país.
Quais as consequências da obesidade para o nosso organismo?
A obesidade pode afetar praticamente o corpo inteiro. A ABESO descreve a obesidade como uma doença que pode causar ou agravar um grande número de comorbidades, incluindo: diabetes do tipo 2, hipertensão arterial, doença arterial coronariana (acúmulo de gordura na parede das artérias, ocasionando a angina do peito e infarto do miocárdio), insuficiência cardíaca, apneia obstrutiva do sono, doença hepática gordurosa, infertilidade, doença renal crônica, depressão, osteoartrite, ansiedade e diversos tipos de câncer, como mama e intestino.
Um grande realizado pela Universidade de Oxford estimou que a obesidade moderada, IMC 30 a 35 kg/m², reduz a vida em cerca de 3 anos, enquanto a obesidade grave, IMC 40 a 50 kg/m², reduz em cerca de 10 anos, um impacto parecido ao de tabagismo ao longo da vida.
Em resumo: a obesidade não “fica só no peso”. Ela aumenta a inflamação, favorece resistência à insulina, sobrecarrega as articulações, dificulta a respiração em alguns casos e eleva o risco de eventos cardiovasculares como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). Essas duas últimas doenças são a principal causa de morte na população.
Quais mudanças de estilo de vida ajudam no tratamento da obesidade?
As mudanças no estilo de vida são a base do tratamento. Isso envolve principalmente alimentação adequada, redução ou abolição da ingestão de bebidas alcoólicas, prática regular de atividade físicas e sono de melhor qualidade.
A ABESO e a OMS reforçam que mudanças realistas e mantidas no longo prazo funcionam melhor do que soluções radicais de curto prazo.
A ABESO recomenda que o tratamento nutricional seja individualizado e sustentável. Na prática, uma alimentação que ajuda na perda de peso costuma seguir alguns princípios: priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, grãos integrais e fontes magras de proteína; reduzir alimentos ultraprocessados, que tendem a ter maior densidade calórica, mais açúcar, mais gordura e menos saciedade; e organizar refeições de forma que a pessoa consiga manter o plano no cotidiano. A OMS sugere ainda mais de 400 gramas de frutas e verduras por dia como parte de uma dieta saudável. A redução ou abolição da ingestão de bebidas alcoólicas é fundamental, pois o etanol presente nas bebidas alcoólicas é muito calórico: 1 grama fornece 7 kcal.
Para a população, isso pode ser sugerido dessa forma:
O ponto central é que não existe dieta mágica única. O melhor plano é aquele que melhora a qualidade da alimentação, reduz a ingestão calórica de forma viável e consegue ser mantido ao longo do tempo. A orientação de uma nutricionista é o idela, para personalizar o seu plano alimentar.
A atividade física ajuda no emagrecimento, mas é ainda mais importante na menutenção de um peso menor. Ela melhora a pressão arterial, glicemia, sono, condicionamento, humor e diminui a ansiedade. A OMS recomenda para adultos 150 a 300 minutos por semana de atividade aeróbica moderada, ou 75 a 150 minutos por semana de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular em 2 ou mais dias por semana. Também reforça que qualquer atividade é melhor do que nenhuma e que é importante reduzir o tempo sedentário. Isso significa que caminhar, pedalar, nadar, dançar, fazer musculação ou outra atividade regular pode ajudar bastante.
Para quem está sedentário, o melhor começo costuma ser simples: aumentar o número de passos por dia, subir escadas, fazer caminhadas curtas e progredir aos poucos.
Fonte: ABESO e OMS.
Autor: Dr. Tufi Dippe Jr. Cardiolgista - CRM PR 13700.