Obesidade

A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo excesso de gordura corporal, que causa prejuízos à saúde. Ela não é apenas uma questão estética, pois aumenta o risco de alterações do metabólicas e doenças no coração e vasos, fígado, rins, articulações, etc. A obesidade também é um importante fator de risco para o desenvolvimento de vários tipos de câncer.

Como é feito o diasgnóstico de obesidade?

O diagnóstico começa pelo cálculo índice de massa corporal (IMC), que é a divisão do peso pela altura ao quadrado. Exemplo: um homem de 1,70 m e 100 kg terá um IMC de 100/1,70 x 1,70, ou seja, 34,6 kg/m². Adultos com IMC entre 25 e 29,9 kg/m² são classificados como tendo sobrepeso, e aqueles com IMC igual ou acima de 30 kg/m² são classificados como tendo obesidade. No entanto, o IMC apresenta limitações, por isso, outras medidas devem ser utilizadas:

  • Circunferência abdominal (CA): valores iguais ou maiores que 94 cm para homens e 80 cm para mulheres são indicativos de maior risco. Para medir a CA use uma fita métrica flexível, com a pessoa em pé, abdômen relaxado, pés próximos e respirando normalmente. A forma correta é medir no ponto médio entre a última costela palpável e o topo do osso do quadril, chamado crista ilíaca. A fita deve ficar horizontal, justa na pele, mas sem apertar. Meça ao final de uma expiração normal, sem “prender a barriga”.
  • Relação cintura quadril (RCQ):  valores iguais ou maiores que 0,90 para homens e 0,85 para mulheres são indicativos de maior risco. Para obter a RCQ você precisa obter duas medidas: a cintura (a mesma medida acima, no ponto médio entre última costela e crista ilíaca) e o quadril, medindo ao redor da parte mais larga dos glúteos/quadris, com a fita paralela ao chão e sem comprimir a pele. Depois calcule a RCQ: cintura dividido pelo quadril. Exemplo: cintura 82 cm e quadril 100 cm → RCQ = 82/100 = 0,82.

A obesidade é uma doença comum?

A obesidade vem crescendo no mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2022 haviam mais de 890 milhões de adultos vivendo com obesidade, o que correspondia a cerca de 16% da população adulta mundial. A prevalência global mais que dobrou entre 1990 e 2022. No Brasil, a situação também preocupa. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO) alerta que, em 2025, 68% dos adultos brasileiros tinham excesso de peso, mostrando a enorme dimensão do problema no país. 

Quais as consequências da obesidade para o nosso organismo?

A obesidade pode afetar praticamente o corpo inteiro. A ABESO descreve a obesidade como uma doença que pode causar ou agravar um grande número de comorbidades, incluindo: diabetes do tipo 2, hipertensão arterial, doença arterial coronariana (acúmulo de gordura na parede das artérias, ocasionando a angina do peito e infarto do miocárdio), insuficiência cardíaca, apneia obstrutiva do sono, doença hepática gordurosa, infertilidade, doença renal crônica, depressão, osteoartrite, ansiedade e diversos tipos de câncer, como mama e intestino.

Um grande realizado pela Universidade de Oxford estimou que a obesidade moderada, IMC 30 a 35 kg/m², reduz a vida em cerca de 3 anos, enquanto a obesidade grave, IMC 40 a 50 kg/m², reduz em cerca de 10 anos, um impacto parecido ao de tabagismo ao longo da vida. 

Em resumo: a obesidade não “fica só no peso”. Ela aumenta a inflamação, favorece resistência à insulina, sobrecarrega as articulações, dificulta a respiração em alguns casos e eleva o risco de eventos cardiovasculares como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). Essas duas últimas doenças são a principal causa de morte na população.

Quais mudanças de estilo de vida ajudam no tratamento da obesidade?

As mudanças no estilo de vida são a base do tratamento. Isso envolve principalmente alimentação adequada, redução ou abolição da ingestão de bebidas alcoólicas, prática regular de atividade físicas e sono de melhor qualidade. 

A ABESO e a OMS reforçam que mudanças realistas e mantidas no longo prazo funcionam melhor do que soluções radicais de curto prazo.

  • Alimentação: o que ajuda de verdade na redução do peso?

A ABESO recomenda que o tratamento nutricional seja individualizado e sustentável. Na prática, uma alimentação que ajuda na perda de peso costuma seguir alguns princípios: priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, grãos integrais e fontes magras de proteína; reduzir alimentos ultraprocessados, que tendem a ter maior densidade calórica, mais açúcar, mais gordura e menos saciedade; e organizar refeições de forma que a pessoa consiga manter o plano no cotidiano. A OMS sugere ainda mais de 400 gramas de frutas e verduras por dia como parte de uma dieta saudável.  A redução ou abolição da ingestão de bebidas alcoólicas é fundamental, pois o etanol presente nas bebidas alcoólicas é muito calórico: 1 grama fornece 7 kcal. 

Para a população, isso pode ser sugerido dessa forma:

  • Montar refeições com “comida de verdade” na maior parte do tempo, sempre incluindo verduras, legumes, frutas, cereias e grãos integrais.
  • Diminuir frituras, refrigerantes, doces, salgadinhos, fast-food e produtos ultraprocessados;
  • Prestar atenção ao tamanho das porções;
  • Comer com mais regularidade, em vez de alternar longos jejuns com exageros;
  • Regra prática: metade do prato com verduras e legumas, um quarto do prato com uma proteína magra e um quarto do prato com alimento rico em hidratos de carbono (exemplo: arroz).

O ponto central é que não existe dieta mágica única. O melhor plano é aquele que melhora a qualidade da alimentação, reduz a ingestão calórica de forma viável e consegue ser mantido ao longo do tempo. A orientação de uma nutricionista é o idela, para personalizar o seu plano alimentar.

  • Exercícios físicos: qual o papel deles?

A atividade física ajuda no emagrecimento, mas é ainda mais importante na menutenção de um peso menor. Ela melhora a pressão arterial, glicemia, sono, condicionamento, humor e diminui a ansiedade. A OMS recomenda para adultos 150 a 300 minutos por semana de atividade aeróbica moderada, ou 75 a 150 minutos por semana de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular em 2 ou mais dias por semana. Também reforça que qualquer atividade é melhor do que nenhuma e que é importante reduzir o tempo sedentário. Isso significa que caminhar, pedalar, nadar, dançar, fazer musculação ou outra atividade regular pode ajudar bastante. 

Para quem está sedentário, o melhor começo costuma ser simples: aumentar o número de passos por dia, subir escadas, fazer caminhadas curtas e progredir aos poucos. 

Fonte: ABESO e OMS.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr. Cardiolgista - CRM PR 13700.