Dislipidemias: Lipoproteína a ou Lp(a) elevada

Quando falamos “colesterol alto”, na verdade estamos falando de um conjunto de gorduras e partículas que circulam no sangue. O colesterol total não é uma peça única, ou seja, ele reflete a soma do colesterol transportado por diferentes lipoproteínas, que são gorduras que circulam no sangue ligadas a uma proteína, principalmente o LDL-colesterol (lipoproteína de baixa densidade ou LDL-c, conhecido como o "colesterol ruim"), o HDL-colesterol (lipoproteína de alta densidade ou HDL-c, conhecido como "colesterol bom") e outras partículas aterogênicas, ou seja, que favorecem à formação de placas de gordura na parede das artérias (aterosclerose).

A aterosclerose é a principal causa do infarto do miocárdio (IM) e acidente vascular cerebral (AVC), que por sua vez, são as principais causas de morte na população.

Por isso, além do colesterol total, hoje se dá muita importância ao colesterol não-HDL (não-HDL-c), ApoB e Lipoproteína a (LPa), que ajudam a medir melhor a quantidade de partículas aterogênicas de uma pessoa. Dislipidemia é termo empregado para definir as anormalidades das gorduras circulantes no sangue, predispondo à aterosclerose.

O que é a Lipoproteína (a) ou Lp(a)?

A lipoproteína(a), também chamada de Lp(a), é uma partícula do sangue parecida com o LDL-c, mas com uma proteína extra. Sua elevação ocorre em 20 a 25% das pessoas, sendo determinada geneticamente, e associa-se a maior risco cardiovascular, mesmo em pessoas cujo colesterol tradicional não parece alto.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomenda que a Lp(a) seja dosada pelo menos uma vez na vida em todos os adultos. Isso ajuda a identificar um risco residual de doença cardiovascular que poderia passar despercebido. 

O valor de referência de acordo com a SBC é abaixo de 75 nmol/L (dosagem preferencial) ou abaixo de 30 mg/dL.

Mas, para estratificação de risco, a SBC destaca:

  • Lp(a) ≥ 50 mg/dL ou 125 nmol/L:  já é considerada agravante de risco cardiovascular.
  • Lp(a) > 180 mg/dL ou 390 nmol/L: indica alto risco de eventos cardiovasculares.

A Lp(a) elevada acarreta um aumento do risco de:

  • Doença arterial coronariana, podendo causar angina do peito e infarto do miocárdio (IM).
  • Acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico.
  • Progressão da aterosclerose nas artérias.
  • Estenose aórtica, ou seja, o estreitamento da válvula de saída do coração (válvula aórtica).

Ela pode reclassificar uma pessoa de risco mais baixo para um risco mais alto. 

Como reduzir a Lp(a)?

Aqui é preciso ser muito claro: mudanças de estilo de vida são essenciais para reduzir o risco cardiovascular total, mas costumam ter pouco efeito direto sobre a Lp(a), porque seus níveis são fortemente determinados pela genética: mais de 95%. O mais importante é controlar agressivamente os outros fatores de risco, principalmente o LDL-c. A SBC afirma que a Lp(a) elevada deve servir para intensificar a prevenção e o tratamento. Em relação a remédios, existem quatro medicamentos que estão sendo pesquisados para essa finalidade, mas que ainda não estão disponíveis para o uso clínico. Ou seja, na prática atual, o foco costuma ser:

  • Baixar bastante o LDL-c.
  • Tratar adequadamente outros fatores de risco, como a hipertensão arterial, diabete melito e sobrepeso/obesidade.
  • Parar de fumar.
  • Manter uma alimentação e atividade física adequadas.

Fonte: Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose - Sociedade Brasileira de Cardiologia - 2025.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr. - Cardiologista - CRM PR 13700.